Jornalista Régis Oliveira: Ciladas da Comparação

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ciladas da Comparação


A necessidade de ser igual (ou melhor que) aqueles que estão ao nosso redor: eis o grande paradoxo do ser humano. Desde que nascemos, somos comparados: “tem os olhos do pai”, “é agitada como a mãe”.
Até aí, tudo corre bem, e o problema começa no primeiro: “Nossa, ele ainda não engatinha?
O Pedrinho nessa idade já andava!”.
A verdade é que sempre haverá alguém mais bonito, mais rápido e mais eficiente do que nós. É a condição normal da vida em sociedade e não significa que você seja uma “pessoa pior” ou melhor que.
Temos pontos altos e baixos e se você, por exemplo, não é tão bom em matemática, quanto “ele”, provavelmente você tenha alguma outra qualidade que ele não tem.
Acontece que na maioria das vezes, as comparações feitas por pais, parentes, professores e colegas de classe sempre enfatizam nossas desvantagens em relação ao outro, na forma de frases depreciativas como:
“Você podia ser organizado como o seu irmão” ou “Usar uma franja pode ajudar a disfarçar sua testa avantajada”, dentre outras.
A adolescência chega e continuamos a competir, seja por notas nas provas ou para ser aceito nos grupos mais populares do colégio. E nesse tempo todo, ninguém se dá conta do quanto essas competições e comparações aos poucos constroem adultos depressivos, cheios de traumas e com a autoestima despencando ladeira abaixo.
Isso porque o hábito de comparar-se e ver-se sempre em desvantagem com relação a alguém, adquirido lá na primeira infância, pode nos acompanhar por toda a vida, o que muda são só os objetos de comparação.
Quer um exemplo? “Se eu fosse bonito e rico como meu vizinho, com certeza já teria uma esposa” ou “Se eu fosse inteligente como o novo estagiário da empresa, já teria conseguido uma promoção”.
E no meio de tantos “ses”, nosso valor é sempre menor que o do outro, seja ele inteligência, beleza, status, dinheiro ou até mesmo cor dos cabelos.
E você sabe por quê? A resposta é simples: no jogo da competição, TODOS perdem! Sim, eu disse todos, SEM exceção. Não importa o quão belo, rico ou eficiente você seja, você sempre se enxergará por um ângulo do qual as qualidades do outro merecem maior destaque que as suas.
Desde os primeiros anos de vida, a sociedade nos impõe a crença de que precisamos provar o tempo todo o quanto somos bons para sermos aceitos. Aqueles que “ousam” ser diferentes são criticados, marginalizados, exemplos a não ser seguidos de fracasso e subversão.
Entendemos que isso seja uma “doença” já incrustada nas entranhas da sociedade, mas quanto mais pessoas se conscientizarem do quanto essas comparações são nocivas, maiores as chances de extinguirmos aos poucos essa prática. E quem sabe assim, quando cada um entender o seu valor e o papel fundamental que desempenha no todo, os divãs e as seções de remédios de tarja preta deixem de ser o nosso único antídoto contra a loucura.
E você? Faz comparações ou é comparado? A comparação ajuda ou prejudica? Deixe aí seu comentário.

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